Espiritualidade

Blog Espiritual

26

de
janeiro

NADA MUDA SE EU NÃO MUDAR.

Tenho medo das generalizações. Elas, por si só, podem comprometer a essência e o alcance de uma verdade. Quando o sujeito generaliza, processasse a pasteurização. Torna-se tudo e todos iguais. E, na terra dos viventes nem sempre é assim. É arriscado dizer que nada muda se eu não mudar. É uma perigosa e escorregadia generalização. Todavia assumo o risco – o que seria de nós se por vezes a caminhada não se assemelhasse a uma corda bamba? É preciso ter equilíbrio. Entretanto é necessário se lançar a corda! Falar em mudança é quase lugar comum. Todos a querem em alguma coisa. Há quem queira mudança nos outros, na política, na sociedade, no mundo. Mas continuam as mesmas pessoas. Lembram-me uma frase atribuída a Mark Twain: “Muita gente fala em mudar o mundo, mas ninguém quer mudar-se a si mesmo”. E a perplexidade de uma mãe cuja filha entrou para o Greenpeace porque “queria arrumar o mundo”, mas era incapaz de arrumar o seu quarto. Bem, 2012 está batendo à porta querendo entrar. Após o carnaval, como é tradicional em nosso país, a porta se abre e ele entra. Deixando as generalizações e o lugar comum de lado, uma excelente atitude para receber e viver os próximos meses seria a séria consideração pelas mudanças. Não falo, à priori, da mudança estrutural do sistema – embora seja sempre necessária; da mudança política, embora eleições venham e sempre surge a oportunidade (a esperança é a última que morre); mas falo de mudanças interiores. Uma revolução na anatomia da alma. Já uma pré-disposição à consciência da mudança pode levá-lo ao caminho de descobertas e surpresas. O primeiro passo seria considerar a questão: se eu não mudar, nada muda. Mudar para melhor, afinal, ninguém deseja piorar. Ou, pelo menos, “despiorar” já seria interessante. Então vamos lá… despiorar no caráter, no relacionamento conjugal, nos relacionamentos pessoais, no sempre complicado e difícil trato com as finanças, e muitas outras áreas que devemos mudar para melhorar. Sabendo que o evangelho é primeiro a mudança da mente, do interior. Mude já, não espere o pós-carnaval.

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira.

12

de
novembro

FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO: PERDÃO.

Os fundamentos se relacionam com aquilo que sem o qual não se vive. Tá para alguma coisa que não se pode viver sem; não se dá ao luxo  de deixar à margem ou ao largo, como que “to nem aí”. Lembro da famosa frase atribuída a Agostinho: “Naquilo que é essencial, unidade, naquilo que é duvidoso, a liberdade, e em tudo, amor.” Na fé cristã existem alguns principios que só entram na categoria do essencial. O perdão é um destes. Ser perdoado e ser perdoador são posições muito claras nas Escrituras. Um não existe sem o outro. Quando à Palavra de Deus exorta ao perdão, o argumento usado é do maior para o menor: “perdoem-se uns aos outros; assim como Deus os perdoou em Cristo”. Quando Paulo afirma que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, esta reconciliação é medida pelo perdão. Ele é a ponte que cria a passagem sobre o grande abismo e leva o homem em retorno ao projeto original do Criador, vivendo em comunhão plena e satisfatória. É profundo o que escreveu T. H. Hunt, em seu livro, “A Mente de Cristo”: “A santidade de Deus exige justiça, mas seu amor mostra misericórdia e perdão. Em Cristo, se vê a combinação perdfeita de justiça e misericórdia. A santidade e o amor, que parecem opostos, na realiadde trabalham unidos para se fortalecerem mutuamente”. É pelo e no perdão que os opostos se aproximam e vivem em harmonia. Entre a santidade e o amor está o perdão. Da mesma maneira nossas relações horizontais são marcadas pelo perdão; ou infelizmente pela falta dele. Um cristão demonstra sua maturidade espiritual quando reconhece seu erro e tem disposição de pedir perdão. Não há família saudável sem o exercício do perdão. Somos a comunidade dos perdoados e dos perdoadores.Quem não perdoa não pode orar, não pode ofertar, não pode ser perdoado. Quem não perdoa adoece emocional e fisicamente. O perdão cura! O perdão sara as feridas, restaura os relacionamentos, produz comunhão e glorifica a Deus, enfim, faz-nos viver a plenitude do que se chama família. Ferir uns aos outros ou guardar mágoas produz doença emocional e desavença relacional. É tempo de aprendemos com Deus sobre perdão, ou seja, construirmos pontes em vez de cavarmos abismos. Concluo com o célebre pensamento de C.S.Lewis: “Todos dizem que o perdão é uma ideia maravilhosa até que elas possuam algo para perdoar”.

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira

3

de
outubro

FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO: CRESCIMENTO.

Seria contra-senso pensar em crescimento como fundamento?  Não, claro que não! Disparate seria não incluir o crescimento nesta categoria. Crescimento é uma premissa inalienável da fé cristã. Bastaria a percepção de Lucas (2:52) ao fazer um dos poucos e raros registros sobre a adolescência de Jesus: “Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”. Jesus crescia de quatro maneiras: sabedoria, isto é crescimento intelectual, em estatura, isto é, crescimento físico, em  graça diante de Deus, isto é, crescimento espiritual e em graça diante dos homens, isto é, crescimento social. E este deve ser o alvo para a vida de qualquer cristão, que cresça em quatro maneiras diferentes: intelectualmente, fisicamente, espiritualmente e socialmente. Isto foi o que disseram de Jesus, no entanto, o que ele disse a esse respeito? À Nicodemos, o doutor da lei, Jesus crescido em sabedoria, estatura e graça declarou: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo”. (Jo 3:3). Convencionou-se chamar este “nascer de novo” de “novo nascimento” – fato que  causou estranheza ao mestre da lei – “Perguntou Nicodemos: “Como alguém pode nascer, sendo velho?”. Posto é que a mais sublime experiência do ser humano é este processo, chamado por Jesus de “nascer da água e do Espírito”. Assim, todo cristão nasce um dia, por obra do Espirito Santo. Mas, este mesmo cristão não pode atrofiar-se – o processo é continuo, o crescimento não é uma opção; é uma ordem. Pedro, foi um dos escritores neo-testamentários que fez esta relação e, usando o imperativo, setenciou: “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (1Pd 3:18). E ainda nos remete, ao novo nascimento que nos fez, “Como crianças recém-nascidas”, e para tanto “desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação”. (1Pd 2:2). Onde temos o leite espiritual puro, a palavra traduzida por espiritual é a palavra logicus de logos, seria literalmente o leite da palavra. Pedro faz um jogo, primeiro ele diz que fomos gerados pela palavra (Vocês foram regenerados, por meio da palavra de Deus - 1:23), e depois diz que devemos nos alimentar com o leite que vem da palavra. É uma analogia com a criança. A criança é gerada pela mãe e ela se alimenta da mãe. A alimentação primeira da criança vem da sua própria mãe. Pedro primeiro diz que nós fomos gerados pela palavra de Deus e depois que devemos desejar o leite que vem da Palavra, daquela que nos gerou, para que tenhamos o crescimento. Como cristão, escolha o crescimento na Palavra.

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira

11

de
agosto

FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO – ALEGRIA.

Servi ao SENHOR com alegria; entrem na sua presença com cânticos alegres. Salmos 100.2

Alegria é um tema tão recorrente nas Escrituras que se não é, passa bem perto de ser um fundamento da fé cristã. A alegria do cristão não está reduzida as circunstâncias alegres e aos momentos felizes. Paulo, o apóstolo, escreveu a chamada carta da alegria, a epístola enviada aos Filipenses, onde por dezesseis vezes a palavra alegria e seus sinônimos, como gozo, regozijo e contente, estão presentes, e o apóstolo não estava numa condição que pudesse ser traduzida por felicidade ou alegria – ele estava na prisão. E, ainda assim, ele afirmou: “Alegrai-vos no Senhor, outra vez digo, alegrai-vos”. Na fé cristã são diversas as formas de manifestação da alegria verdadeira, que vem por obra e graça do Espírito. Uma das mais constantes é a alegria do servir. Einstein declarou que “Deus não joga dados”. Sábias palavras. Deus tem um propósito firme para cada obra criada. Ao tecer o homem e ver que tudo era muito bom, o Criador expôs seu prazer em nos formar. Somos coroa da sua criação. Como obra criada, fomos feitos para um propósito. Não estamos aqui por acaso. Um dos mais significativos propósitos do homem é o serviço – nossa forma se encaixa perfeitamente no servir. Servir produz significância, realização. Não se pode servir com tristeza; é contramão! Servir a Deus, servir ao próximo, é uma atitude de gozo, pelo simples fato de que servimos pelo que Cristo fez por nós em profunda resposta de gratidão eterna. Há, também, a alegria da satisfação. Este é um principio pleno da vida cristã. Satisfação é alegria duas vezes. Tem haver com galardão, na eternidade uns terão mais, outros menos, porém, todos estarão satisfeitos, alegres. A alegria da satisfação é apreendida, não depende das circunstancias, nem mesmo do que temos. Paulo ensinou, “…não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação…”(Fp. 4.11,12). Abrace a alegria que vem pela gratidão por aquilo que você tem. Diga não ao consumismo que é ladrão de alegria e satisfação. Goethe certa vez afirmou que a alegria não está nas coisas, está em nós. Contudo, a maior alegria do cristão é, sem dúvida, a alegria da sua salvação. A Escritura, ao se referir sobre salvação, usa inúmeras palavras e conceitos. Um desses conceitos fala da salvação como dom – o dom da salvação. É uma alegoria afirmativa da salvação como um presente de Deus. Um presente é algo que recebemos por iniciativa de quem deu; nunca de quem recebe, no entanto, podemos recusá-lo ou mesmo ignorá-lo, às vezes, é questão de gosto. A salvação é um presente que não pode ser desprezado, porém, constantemente, ao pecarmos, anulamos um dos seus efeitos: a alegria. Davi quando pecou, viveu dias miseráveis. A iniqüidade o fez amargar dores terríveis. Por isso, o rei-músico orou: ”Devolva-me à alegria da tua salvação”. A oração de Davi pode ser escrita assim: “Torna a dar-me o efeito do melhor presente que ganhei na vida, mais por um momento, desprezei. Faça brotar em mim, novamente, a alegria de servi-lo e amá-lo…” Sim, a alegria não passa simplesmente perto, ela é um dos mais preciosos fundamentos do cristianismo.

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira

8

de
agosto

FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO: AMOR.

O Conselho Nacional Cristão do Japão redigiu um documento e nele relatou qual o fator principal que diferencia o cristianismo das outras religiões. E disse: “O fato de que o cristianismo e no cristianismo, temos a única religião em que Deus vem buscar o homem. Em todas as outras Deus está no seu altar e o homem vai até ele”. Este é um dos fundamentos da religião cristã – não o fato de Deus buscar o homem, vindo ao seu encontro, mas, a verdade de que Ele faz isso por AMOR. Uma velha canção já dizia: “Deixou o esplendor de sua glória. Ao vir a este mundo aqui. Estava só e ferido no Gólgota para dar sua vida por mim. Se isto não for amor, o oceano secou.

Não há estrelas no céu, as andorinhas não voam mais. Se isto não for amor, o céu não é real. Tudo perde o valor, se isto não for amor”. Fica claro que na fé cristã, tudo o que é: perdão, salvação, oração, vida abundante,   bondade, igreja, etc, só o é, porque Ele nos amou! Em Cristo e na radicalidade do seu amor se rompem o conceito grego do amor contemplativo e, portanto, evasivo e emerge o amor ativo, até mesmo, pro-ativo, ou seja, o que faz o que ninguém fez, olhando o todo e não a parte. Aos Romanos, Paulo afirmou: “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”. Podemos evocar um pensametno contemporâneo que alcança explendidamente a proatividade do amor de Cristo: ‎”Uma bacia com água e uma toalha. Uma mesa com pão e vinho. Uma cruz de madeira. É tudo que Jesus precisa para ensinar a mais profunda e extraordinária lição de amor de toda a história humana.”, disse Osmar Ludovico. Assim, o AMOR em Cristo é mais que palavras – é o próprio Cristo! É na manjedoura, é na bacia com água, é no pão e no vinho, que conhecemos o verdadeiro amor. Conta a história que Martyn Loyd -Jones mergulhou numa profunda crise de pregação e, decidamente resolveu estudoar profundamente a obra da cruz de Cristo e, ao levantar-se, após longo tempo de reflexão, exclamou, nas próprias palavras dele, “a questão básica não era a pergunta de Anselmo “por que Deus se tornou homem?” mas “por que Cristo morreu?”. E a resposta é tão simples e ao mesmo tempo tão profunda e sacrificial: POR AMOR! Ou, como diz John Sttot: “Cristo não morreu, Ele foi morto, morto pelos nossos pecados”. Este é o fundamento do cristianismo. Sem o amor, voltando a velha canção, “o céu não é real, tudo perde o valor” e, ainda mais, nada do que se fez poderia ser feito. A Ele que nos amou, a glória hoje e eternamente!

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira.

21

de
julho

O MISTÉRIO DA PIEDADE.

Muitos estudiosos admitem que em algum grau haja transferência das religiões de mistério para o cristianismo. Paul Tillich afirma que os deuses das religiões de mistério influenciaram bastante o culto e a teologia cristã. Entretanto, outros estudiosos admitem que seja lógico supormos que o cristianismo, ao crescer no ambiente formado pelas religiões de mistério tenha freqüentemente elaborado seus próprios sistemas contra os princípios e práticas dos mistérios. A similaridade entre a terminologia dos antigos escritos cristãos e dos mistérios evidencia que houve um confronto real entre essas comunidades e uma influencia apenas de termos. Tillich chegou a dizer que “O Cristianismo derrotou os mistérios em seu próprio campo. Ele tinha a vantagem de estar baseado não em um mito, mas numa pessoa”. Muitos cristãos ao longo da história preferiram professar um cristianismo voltado ao mistério. E, atualmente, o misticismo encanta e deforma igrejas e cristãos. As ferramentas indispensáveis a uma hermenêutica segura e confiável deu lugar a um conjunto fantasioso  e até inescrupuloso para o entendimento do texto bíblico. No que diz respeito ao último livro das Escrituras o conhecimento do futuro não é alcançado mediante artes mágicas, ou leitura dos astros, nem mesmo por profecias humanas ou por achismos teológicos. Nós não podemos conhecer nada do futuro, a não ser que Deus no-lo revele. O futuro estará coberto por um véu, até que Deus abra a porta do céu. O céu aberto não libera apenas acontecimentos, mas também entendimento, pois João contempla o trono, antes de contemplar os dramas da história, conforme capítulo quatro de Apocalipse, “Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: “Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas”. mediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém” (vs.1,2). Muitas vezes, sentimos como se o céu estivesse fechado para nós: “Tornamo-nos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste e como os que nunca se chamaram pelo teu nome. Oh! se fendesses os céus e descesses! [...] para fazeres notório o teu nome aos teus adversários” (Is 63:19-64:2). O livro de Apocalipse revela a profunda consciência da soberania de Deus na história, porém, nunca uma soberania alienante que destitui o homem de suas responsabilidades. Apocalipse revela que não há acaso nem falta de controle com relação a Igreja de Cristo. O futuro desta comunidade dos remidos está nas mãos de Deus. A igreja não precisa temer o mal, mesmo que este venha travestido de uma feroz perseguição. Tudo o que acontece sobre a terra resulta de algo que sucederá no céu. A causa está no céu, e o efeito se verifica sobre a terra. O único mistério que há em Cristo é o da piedade: “Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória.” (1Tim.3:16). Embora o jogo esteja sendo jogado, a vitória é certa!

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira.

21

de
abril

As Dimensões do Amor de Deus

Oro para que vocês possam compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento. Ef. 3:18

A ALTURA DO AMOR DE DEUS

Podemos entender o comprimento do amor de Deus como o aspecto horizontal de seu alcance. A sua altura seria o aspecto vertical. De que maneira isso se relaciona entre si e com a humanidade? Em sua célebre obra “Deus: uma biografia”, Jack Milles, polemiza ao declarar que até o profeta Isaías não se encontra nas Escrituras um Deus que ama. Argumenta: “Deus não fez aliança com Abrão por amor”; “Não livrou Israel do cativeiro por amor” etc. Um dos problemas desse pensamento é igualar ação com natureza. A natureza de Deus é amor. Ele não contém o amor e por isso age amorosamente. Ele é amor! Assim, tudo que faz é essencialmente amor. Esta é a altura do amor de Deus – de tão alto, poder-se-ia tornar inacessível aos homens. No entanto, “o verbo se fez carne e habitou entre nós” reduzindo a distancia e num simples instrumento de madeira ligando terra e céu - vertical e os homens a Deus – horizontal, deu-nos a experiência de um amor que de tão alto excede todo o conhecimento. Paulo usa uma escala de grandeza (largura, comprimento, altura, profundidade) para tornar o amor do Pai factível na realidade humana e pessoal. A partir da “altura” do amor de Deus torna-se claro a expressão do próprio apóstolo, “Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado”. O sacrifício de Cristo na cruz, tornando-se maldito, e dando prova cabal do amor de Deus é a dimensão mais alta, profunda, comprida e extensa que se pode conhecer do amor. Esta é a diferença substancial da fé que confessamos. Eis a razão de Kierkegaard afirmar: “Todas as outras religiões são indiretas: o fundador fica de lado e apresenta outro orador… o cristianismo é a única que possui um discurso direto”. Sola Gratia!

A PROFUNDIDADE DO AMOR DE DEUS

A Páscoa é um memorial, uma comemoração que visa a recordação de um fato histórico, que tem sua origem na saída do povo de Israel do Egito, cerca de 1500 anos antes de Cristo. Se a Páscoa é um memorial estabelecido por Deus, tem um significado, um simbolismo definido. Deus determinou a Moisés que fosse guardada pelos descendentes hebreus e deu uma explicação: “porque, nesse mesmo dia, tirei vossas hostes da terra do Egito”. Podemos observar que o primeiro significado da Páscoa é a libertação dos descendentes de Abraão da terra do Egito. A Páscoa não é um culto místico, de valor espiritual, de atribuição de bênçãos, mas um quadro representativo do fato de que Deus libertou o povo hebreu da escravidão do Egito. A páscoa como uma festa judaica, definitivamente não é cristã; como não são cristãs as demais festas do povo judeu. Cinqüenta dias após a páscoa, era comemorada a festa de Pentecostes e nem por isso nós a celebramos. Muito embora, reconheçamos que estas festas tenham marcado profundamente o cristianismo. Na época da páscoa Cristo morreu por nós, tornando-se o único, verdadeiro e definitivo sacrifício, como cordeiro santo e imaculado. No dia de pentecoste (cinqüenta dias após a morte do Senhor) os discípulos reunidos em Jerusalém foram visitados pelo Espírito Santo e receberam a promessa do poder do Espírito Santo para o cumprimento da missão. A nossa páscoa não é uma festa religiosa e nem uma comemoração litúrgica. Nossa páscoa é Cristo – o real significado e cumprimento da páscoa comemorada pelos hebreus rumo à terra prometida. Àquela comemoração no deserto do monte Sinai apontava para outro monte, o do Calvário. Na morte de Cristo e na sua posterior ressurreição está toda a profundidade do amor de Deus. Não propriamente pelo evento histórico em si; mas pelo efeito na vida do que crê.

O COMPRIMENTO DO AMOR DE DEUS

O comprimento do amor de Deus estende–se a todas as épocas.  O comprimento do amor de Deus alcança todas as casas, famílias, raças, tempos e tribos. Sl 90:1 – “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração.” O comprimento do amor de Deus encurta distância entre os irmãos, casais, pais, filhos e povos. O comprimento do amor de Deus nos alcançou. Hoje, você e eu podemos receber o amor de Deus porque Ele não foi restrito a uma geração. Atos 17:28- “Pois nele vivemos e nos movemos, e existimos… porque dele também somos geração.” Deus o Filho morreu por mim e por você. Quem poderia ter imaginado tal presente? Na época quando Martinho Lutero estava tendo a Bíblia dele impressa na Alemanha, a filha de um tipógrafo encontrou o amor de Deus. Ninguém tinha lhe falado sobre Jesus. Por Deus, ela sentia nenhuma emoção, senão o medo. Um dia, ela juntou pedaços da Escritura caídos no chão. Num papel ela achou as palavras, “Porque Deus amou o mundo de tal forma que ele deu…” O resto do versículo ainda não havia sido impresso. Mesmo assim, o que ela viu foi o bastante para comovê-la. A ideia que Deus daria qualquer coisa a moveu de medo para alegria. A mãe dela notou a mudança de atitude. Quando perguntou a causa da felicidade dela, a filha tirou o pedaço amassado de parte do versículo do seu bolso. A mãe leu e perguntou, “O que foi que ele deu?” A criança estava perplexa por um momento e depois respondeu, “Eu não sei. Mas se Ele nos amou o bastante para nos dar qualquer coisa, nós não devemos ter medo Dele”. Esta é a dimensão do amor de Deus que se entende por comprido – vai para além da nossa imaginação a fim de cumprir seus propósitos. Paulo ora pelos crentes de Éfeso para compreenderem o comprimento do amor de Cristo – além dos alcances anteriores esta face relaciona-se com o atributo da longanimidade. O amor de Deus é tão imenso que se estica, estica, estica… para se aproximar de quem está longe. É longânime! Comprido! Vai longe!

A LARGURA DO AMOR DE DEUS

Na sociedade ocidental judaico-cristã os sentimentos são hipervalorizados em detrimento da ação. O que se sente é sobremaneira mais importante do que aquilo que se faz. As consequências a este “modus vivendi” é a hipocrisia exacerbada que grassa nas relações humanas. Falar sobre o amor é “atitude” louvável e reveladora do caráter de quem fala, dizem. Mas, viver o amor em ações decisivas, concretas e relevantes é deixado a segundo plano pelo escapismo do “é difícil”, “a vida é assim mesmo” entre outros. A verdade é que não sabemos conceituar o amor, muito menos dimensioná-lo. Sempre vamos para o campo das idéias e, repito, dos sentimentos, que como o coração do homem “é mais enganoso do que todas as coisas” (cof. Jer.17). De que valeria o amor de Deus falado, comunicado e contemplado idealmente; no entanto, distante da nossa realidade, tal qual o céu está da terra? O amor de Deus é real. Mas, é real para quem? Não é absolutamente para quem ouviu falar. Não é para quem tenta entendê-lo racionalmente. O amor de Deus é real para quem o experimenta. Paulo ora para que seus filhos na fé compreendam a dimensão do amor de Deus e para que “conheçam o amor de Cristo que excede todo conhecimento”. Conhecer por provar da Palavra e da sua manifestação livre como o evento, o Espírito. A revelação bíblica expõe didaticamente o alcance do amor de Deus – que foi por Ele provado a nós – quando na cruz Cristo sacrificou-se, tornando maldito. O amor de Deus é largo. A largura é suficiente para alcançar e conquistar toda e qualquer pessoa que queira experimentar Dele!

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira

15

de
março

O Amolador.

No meu bairro toda a semana passa o amolador. Figura simples, simpática, carismática. Um comerciante nato e um marketing inconfundível. Sua voz é escutada e identificada ainda em outros quarteirões. Com um tom melódico e forte ele grita: “olha o amoladooooooo!”.  As freguesas surgem com seus “alicates de unhas”, “facas” entre outros pequenos objetos, e ele vai ganhando sua vida com a arte do amolador. Quem vai ao museu de artes e ofícios na praça da estação vê que esta é uma profissão antiga nas minas gerais. Já os primeiros escravos alforriados a praticavam nos nascentes centros urbanos. Cada dia mais raro, este e outros ofícios vão se acabando. A tecnologia e a falta de interesse das novas gerações empurram-os para os museus e para a memória individual e coletiva. O que faz um amolador? Ele manuseia seu instrumento que em contato com o ferro do objeto trabalhado afia sua lamina e o torna útil para o serviço. Penso que podemos chamar Deus de “O Amolador”. Numa analogia livre é Ele que trabalhando em nossas vidas, nos afia, tornando-nos uteis e aptos para o seu trabalho e preparados para a própria vida com seus caminhos e descaminhos. Penso que podemos ser chamados, também, de “amolador”. O sábio disse: “assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro”. (Prov. 27:17). Amizade é uma parte importante da nossa vida. Desde a criação do primeiro casal, Deus mostrou a necessidade do companheirismo na vida humana. Precisamos compartilhar a vida com outras pessoas. Na Bíblia, Deus nos orienta sobre amizades. Ele fala do valor dos bons amigos e adverte-nos sobre os perigos dos companheiros errados. Ele oferece instrução e apresenta exemplos que nos ensinam. Estas orientações valem para os jovens que ainda estão escolhendo o seu rumo, e também ajudam os adultos no seu caminho pela vida.

Pr. José Marcelo - Igreja Batista Mineira

26

de
fevereiro

A ETIQUETA DO AMOR

E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado. Mateus 5:40-42

No sermão doa monte as bem-aventuranças se destacam como uma proposta radical na formação da nova comunidade viabilizada pelo messias. São elas gotas de felicidades e se apresentam como o mais longo e significativo ensino de Jesus. Direcionado aos seus discípulos estabelece nele a contra-cultura, denominada pela teologia de cristã – entende-se por ´de Cristo´. De fato o é. Neste discurso Jesus apresenta sua proposta de Reino e cria uma ruptura total com o reino messiânico estabelecido no imaginário coletivo judaico do qual seus discípulos faziam parte. Parafreseando a experiência do milagre da transformação da água em vinho: a religião judaica com sua liderança corrompida valorizava o odre, Jesus com o seu ensino mostrou que o valor deve ser dado ao vinho. Existe uma essência na vida. A busca por essa essência é o caminho para a felicidade. E essa procura passa necessariamente pelo amor incondicional a Deus e o amor abnegado ao próximo. Caminhar por aqui é um trajeto possível para a felicidade, afinal, bem-aventurados os pobres de espírito, os que choram, os humildes, os que têm fome e se de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os perseguidos e os difamados pelo nome de Cristo. Bem-aventurados, ou seja, FELIZES eu e você quando assim o fizermos.

O sermão avança e do monte Cristo olha para seus ouvintes e faz, talvez, uma das maiores rupturas com a lei mosaica, inaugurando um novo estilo que se tornou característico dele todas às vezes que apontava para uma ruptura com a religião dominante e seus ensinos ou mesmo com o “status quo” dos líderes judaicos. Quando falara sobre o caráter cristão nas bem-aventuranças e sobre a influencia do cristão como sal e luz do mundo Cristo usara para a primeira fala a terceira pessoa, ou seja, “Bem-aventurados os humildes”; para o segundo sermão ele fala na segunda pessoa, exemplo: “Vós sois o sal da terra’. Agora, ele alterna para a primeira pessoa: “Porque…(eu) vos digo”. Se considerarmos que já havia múrmuros a respeito da relação de Jesus com a lei e Moisés – ele assenta “um milhão” de leis e artigos posteriores sobre a lei, conhecido como Talmud, e um século de tradição na ruptura da primeira pessoa: EU lhes digo! Ou seja, ao usar esse tempo verbal Cristo revela toda sua autoridade sobre qualquer elemento natural ou não, inclusive a Lei.

Propondo uma nova motivação e novos princípios a esta nova comunidade e contrapondo-se a lei, Cristo revela o pleno significado do amor ao próximo. O amor tem um preço. Vem com uma etiqueta e custa caro. Amar é um exercício profundo de sacrifício e renuncia. Este tipo de amor não está na cultura estabelecida. O homem deste século não consegue conceituar o amor – geralmente o confunde com sexo. Jesus ao apresentar as normas relacionais dos seus discípulos nesta nova comunidade identifica o amor como uma decisão prática que extrapola os sentimentos e desejos – por isso, amor é uma ação. Àquele que precisa do seu amor se sentirá amado não por ouvir de sua boca uma expressão sentimental de amor. Ele se sentirá amado se em precisando de uma túnica você lhe der também a capa; precisando de um companheiro na difícil caminhada encontre em você alguém que caminha mais do que o necessário. Amar dá trabalho! Quem ama também será amado!

Pr. José Marcelo-Igreja Batista Mineira

3

de
fevereiro

O EVANGELHO ESQUECIDO.

Pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele. Filipenses 1:29

Aprendemos desde cedo que graça é favor imerecido. É algo que está para além da posse das nossas virtudes. Justamente por essa razão a graça é de graça. No entanto, a nossa idéia do que seja graça, enquadram-se apenas as felizes, fáceis e saborosas manifestações das bênçãos de Deus sobre nós. Nunca pensamos em graça como privilégio de sofrer. Todavia, esta dimensão está presente no conceito de graça nas Escrituras. Sem dúvida, tal conceito não tem nada de convidativo e empolgante. Nosso mundo é a cada dia mais patrocinador da ideia do não-sofrer. Somos bombardeados diariamente por uma publicidade do conforto envolta no pano do consumismo. Somos a sociedade do analgésico.  É assim que o pensamento moderno influencia o cristianismo tirando dele sua força e coragem; alargando o caminho estreito e esquecendo o privilégio que nos foi dado de não somente crer em Cristo, mas também de sofrer por ele. Este pensamento bíblico é referendado pelas experiências dos santos em Cristo que em todas as épocas da história se movimentaram em direção ao galardão do sofrer, vendo-o como um privilégio, até mesmo, inefável. É evidente que não somos bíblico-masoquistas. Não gostamos e não queremos o sofrimento. A idéia de Paulo também não é esta; mas sim, o fato de que os cristãos de Filipos deveriam permanecer firmes na fé evangélica, sem de forma alguma deixar-se intimidar pelos opositores – entendendo que aquilo que para os perseguidores era destruição, para os cristãos era salvação da parte de Deus. Afinal, como afirmou o filósofo Jacques Maritain, o sinal de maturidade humana é aceitar o desafio do sofrimento. Que assim seja!

Pr. José Marcelo-www.batistamineira.org.br

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