Espiritualidade

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30

de
julho

TEOLOGIA É ANTROPOLOGIA?

O PERIGO DE UM DISCURSO TEOLÓGICO QUANDO O TEOLOGIZAR ELEVA O HOMEM E NÃO O OBJETO DA TEOLOGIA
Ludwig Feuerbach diz que “o deus do homem não é nada mais que a essência divinizada do homem”. Em outras palavras, se existe algum Deus, ele não passa de uma projeção daquilo que existe de mais excelente no homem. O “deus” do homem seria o próprio homem como centro, como celebridade, como ponto para onde convergem todas as atenções. Nesse caso, o discurso teológico transforma-se em um discurso antropolátrico. Teologia transforma-se em antropologia. Deus é colocado à margem, apenas como elemento de elucubrações cientificistas.
Como falar de Deus sem querer ser um “deus”? Como colocar-se como arauto da divindade sem divinizar-se? A tendência natural do ser humano é buscar manter-se no centro de sua existência, investindo cada vez mais no “eu”, alimentando sua fome de poder e domínio. Nessa busca pelo controle máximo de sua história, o homem procura exercer aquilo que entende como o ponto máximo de sua autonomia: a liberdade. Dentro de uma concepção secular, para ser verdadeiramente livre é preciso libertar-se de qualquer poder que transcenda a experiência histórica e humana. Não é possível assumir a liberdade em subserviência a um poder maior, que diria o que realmente é a liberdade. Como ser livre se existe um Deus totalmente livre? Não há espaço para dois seres absolutamente livres. Sendo assim, ou Deus ou o homem deve ser livre. A disputa está travada.
Para Jean-Paul Sartre liberdade “é um dever fazer o que se quer, pensar o que se bem entende, ser responsável perante si próprio apenas, analisar permanentemente o que se pensa dos outros”. Fazer o que se quer sem a necessidade de prestar contas a outro, como um dever, ou uma obrigação, aponta para o senhorio de si mesmo. ‘O que eu quero fazer, devo fazer. Sou livre para fazer’. ‘Penso o que quero pensar. Sou livre para pensar’. ‘Não preciso prestar contas a ninguém, a não ser a mim mesmo’. Sou livre para agir. Sou senhor de mim mesmo. Essa é a característica do homem secularizado, em busca de autenticar sua liberdade.
Os discursos teológicos estão cheios de pedantismos, percebendo-se claramente a ausência da ação impactadora e transformadora do poder de Deus, capaz de destronar o “eu”, promovendo, assim, o senhorio de Jesus Cristo. O objeto da teologia é Deus. E para falar sobre Ele é preciso que se fale sobre o Cristo, que inevitavelmente leva-nos a falar sobre sua cruz. Sem cruz não há teologia, há eloqüência vazia promovedora de status do ego.
Teologia é antropologia? Nos dias atuais parece ser uma realidade. Os homens que falam sobre Deus não deixam Deus falar. Deus não deve falar, não tem o direito de falar. Quem fala é o “homem-deus”. Teologia versus antropologia? O discurso teológico está impregnado de antropologia, elevando o homem ao centro do discurso religioso.
É extremamente necessário para os nossos dias um resgate do verdadeiro objeto da teologia, promovendo, assim, uma volta da reverência devida diante do Deus Todo-Poderoso.
Aziel Miranda:azielmiranda@yahoo.com.br

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