Espiritualidade

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18

de
agosto

JESUS É O PASTOR DA ALEGRIA

Um aspecto relevante do ministério de Jesus apresentado por Marcos, para uma compreensão pastoral na América Latina e para a América Latina, encontra-se logo no início do seu Evangelho ao tratar do batismo e tentação de Jesus (Mc 1.9-14). No verso 8 João Batista apresenta Jesus como aquele que tem poderes para batizar com o Espírito Santo. Isso aponta para a superioridade de Jesus. Ele é o mais poderoso dos homens (batiza com o Espírito), pois é homem Filho de Deus. Mesmo sendo o mais poderoso, se sujeita ao Espírito Santo, tendo todo o seu ministério impulsionado pelo poder da terceira pessoa da Trindade. A visitação do Pai ao filho da humanidade dar-se para o comissionamento e capacitação, pensando no resgate do ser humano.
Algo marcante e significativo nesse episódio é a maneira como se desenrola esse acontecimento, assinalado com riquezas de detalhes.
A ação pastoral de Jesus começa a ser delineada na sua retirada momentânea de Nazaré da Galiléia para o sul da Palestina com o propósito de ser batizado por João o Batista (ou João o batizador). A pergunta feira por Natanael no evangelho de João é pertinente: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” Nazaré, local de gente humilde e descaracterizada socialmente. Jesus se identifica com esse povo, compreendendo suas carências, conflitos e sentimentos de rejeição. Ele tem “passus”, paixão por esse povo, por isso é um homem marcado pela compaixão. Assume seu povo, sua cultura, sua geografia, identificando-se com a dor e com a rejeição social.
Após o batismo, Jesus não se dirige às multidões, em busca de reconhecimento e sucesso. Não tem uma visão missionária nem pastoral imbuída de uma urgência meramente humana. Pelo contrário, ao invés de se preocupar com qualquer tipo de status (Jesus nunca teve essa preocupação), é dirigido pelo Espírito para um lugar inóspito, vazio, deserto, em que a presença marcante se dá por Satanás e pelas feras. Marcos apresenta Jesus como um pastor que entende o verdadeiro “rosto da missão”, marcado por tentações, perseguições, conflitos internos e externos, carências físicas, etc. No entanto, o início da experiência pastoral de Jesus é assinalado pela obediência ao seu Pai, entendendo nessa experiência existencial o caráter do pastoreio com todas as suas implicações e conseqüências.
Após ser tentado e provado como um filho autêntico da humanidade, algo surpreendente acontece. Ao invés de continuar no sul da Palestina, em meio a elite religiosa e purista judaica, dirigi-se novamente para a Galiléia, em direção às gentes comuns, simples, consideradas, inclusive, como páreas. É com os desesperançados, com aqueles que já se vêem sem condições de nenhuma recompensa como seres humanos, que Jesus inicia, de fato, o seu trabalho como proclamador do reino libertador de Deus. O modelo pastoral de Jesus não é marcado pelo jugo, nem por nenhuma síndrome de onipotência do pensamento. Pelo contrário, há uma verdadeira condescendência, identificação e compreensão da natureza humana. As suas mazelas, tanto externas como internas, são vistas de forma sensível e amorosa. A única exigência é: arrependam-se. A atitude de arrependimento é demonstração de que alguém ainda opta pela vida. Na sua prática pastoral, Jesus trata a vida com proeminência. A verdadeira vida não é marcada por uma religiosidade mórbida, sem beleza, sem poesia. A vida que Jesus propõe é um poema encantador, cheia de sentido e beleza. Jesus é o pastor da alegria em meio à sombra da morte que permeia a existência humana.
Aziel Gusmão-azielmiranda@yahoo.com.br

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