18
de
outubro
TEOLOGIZAR É PLANTAR UM JARDIM
Estudar e fazer teologia no mundo pós-moderno, permeado de mediocridade requer humildade e sensibilidade. A altivez catedrática impede a percepção do belo. Há estética na teologia? Sim, mas não numa percepção estetizante, em que há um detrimento do seu conteúdo. Teologizar é mais do que silogismos escolásticos. Teologizar tem a ver com sussurros sobre a ação subversiva, revolucionária de Deus na história humana, fazendo novas todas as coisas.
Para os neófitos teólogos há uma escolha a fazer: ser pregadores da morte ou pregadores da esperança. Quem quer ter esperança tem que ser poeta, ou seja, interpretar a realidade além do óbvio, além do que se vê. “O que se vê, de forma fácil, não é esperança”. A esperança está relacionada com a possibilidade de ver concretizado em nossa vida a beleza do nosso jardim abscôndito. Há um jardim no coração de todos nós. É preciso reencontrá-lo, tornando-o visível, desfrutando, assim, dos seus deleites e fantasias. “Se não tiver um jardim dentro de você, nunca verá o paraíso” (Ângelus Silesius).
Os olhos, contaminados pelo aparente, pelo estereótipo, pelo supérfluo, não permitem vislumbrar as emanações de beleza manifestadas na criação por meio de insights do coração. A beleza do nosso jardim não consegue viver enclausurado. Numa luta contra a morte promovida pela mediocridade, o jardim exala aromas de encanto e graça. É preciso deixar-se ser levado pelo perfume mágico do belo.
Aziel Miranda-azielmiranda@yahoo.com.br

