10
de
março
O perigo das generalizações…
Particularmente eu não gosto de generalizações. Elas não refletem a realidade. Uma generalização é um escape contra a necessidade humana de procurar e entender a verdade. O simples fato de rotular tudo e todos como sendo parte de uma situação determinada elimina algumas possibilidades fundamentais para o progresso do conhecimento, quer de indivÃduos, quer de grupos sociais, quer de situações. Uma generalização, normalmente negativa ou ruim, promove o conceito de que tudo e todos (do ponto de vista daquela generalização) seguem em um plano imutável no qual não existem exceções.
Uma mensagem do tipo ENC/FWD tem navegado pela net com o tÃtulo: Vergonha de Ser Alemão. Como eu tenho estudado a lÃngua alemã, decidi ler e visualizar o conteúdo do e-mail. A mensagem apresenta evidências inquestionáveis (fotos, filmes e afirmações) de que o Holocausto verdadeiramente aconteceu. O e-mail nasceu como uma reação ao argumento de alguns grupos muçulmanos de que tal horror nunca acontecera. Eu acredito que eliminar de um currÃculo nacional o ensino sobre a Segunda Guerra Mundial e suas implicações para a humanidade, em nome de um grupo especÃfico, é fazer da opinião deste grupo, que é uma exceção à regra, uma generalização das mais ignorantes. Entretanto, o mesmo e-mail que procura com tanta tenacidade defender a realidade inegável de uma das vergonhas mais aterrorizantes na história humana, é o mesmo e-mail que tem como tÃtulo uma generalização absurda: que ser alemão é uma vergonha; trazendo a implicação de que todos eles estão direta ou indiretamente envolvidos e responsáveis pelo Holocausto.
Na impossibilidade de identificar o autor do e-mail Vergonha de Ser Alemão; eu, através deste meio público de comunicação, recomendaria que generalizações desta natureza não mais voltassem a acontecer mesmo que em nome de uma causa justa, pois seria eliminar um mal trazendo outro à luz. Outra opção seria a de que o autor deste e-mail continuasse encorajando aqueles que negam o Holocausto a que se arrependessem; mas que ele mesmo se arrependesse também por sugerir que todos os alemães estão, sem exceção, envolvidos nisto. O Holocausto foi e sempre será uma realidade histórica vergonhosa acerca da qual todos nós deverÃamos nos arrepender e lamentar como seres humanos; sem, no entanto, fazer de pessoas inocentes cúmplices em algo do qual elas nunca participaram em atos, pensamentos, ou sentimentos.
Eu creio numa mensagem que oferece a possibilidade de arrependimento, que trata situações e indivÃduos como exceções à s muitas regras, convenções sociais e religiosas. Eu creio numa mensagem que mesmo defendendo o princÃpio de certo e errado, luta por não rotular sem causa, nem generaliza de forma negativa e ruim. Acima de tudo, esta mensagem de que Deus é amor e ama os pecadores é uma mensagem pessoal: do coração de Deus Pai diretamente para o coração de cada um de nós; pois, generalizações são perigosas.
Flávio Garcia Azambuja-fg.azambuja@bol.com.br

