Espiritualidade

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21

de
maio

A força das palavras.

“José teve um sonho, que contou, a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais” (Gênesis 37:5).
Como a grande maioria de pessoas normais José carregava em seu ser tradições recebidas no contexto familiar. E tentando acertar, os responsáveis por uma criança geralmente cometem erros na criação. Não existe uma fórmula que ensine precisamente as pessoas a viverem como família, tudo é uma questão de experimentação: erros e acertos. Felizes são as famílias que reconhecem seus erros em tempo para reorientarem os passos de seus membros. Errar é preciso! É necessário que as virtudes e fraquezas de cada dia sejam vividas a fim de que a família obtenha qualidade existencial. Jacó errou como pai ao demonstrar mais interesse para com um filho – José – do que para os demais (Gênesis 37:3). Mas, pela graça de Deus e vontade de acertar, erros podem ser corrigidos.
O problema fica mais sério quando as pessoas não param para conversar acerca do que sentem, a fim também de determinarem possíveis falhas no processo de conviver como família. Não somente isto, mas também a indisposição de reconhecer falhas pessoas no exercício de relacionar-se. José incorporou a tradição de que ele era o ‘mais especial’ dentre todos os irmãos; e eles não pararam para conversar sobre o assunto, a não ser décadas depois. Durante este período todos pensavam que José estivesse morto. Pela graça de Deus eles tiveram a oportunidade de um dia reverem as atitudes passadas e errôneas, e optaram pela reconciliação: perdão sem restrições. Anos de sofrimento foram terminados com uma conversa que poderia ter acontecido muito tempo antes. Ótimo, mas o que dizer daquelas famílias que não terão tanto tempo para esperar com o fim de reatarem relacionamentos? Em alguns casos, infelizmente, tudo será muito tarde!
Conversar em família sobre sentimentos, que muitas vezes seguem ignorados ou convenientemente despercebidos é essencial; no entanto, falar demais é incorreto. José não somente errou crendo ser ele o mais privilegiado, ele errou também ao falar demais na hora errada. Fundamentalmente, ele falou daquilo que era certo do ponto de vista do relacionamento dele com Deus: uma visão para o futuro. Todavia, ele cometeu um erro básico: compartilhar algo especial, até mesmo espiritual, com pessoas que ou não dão a mínima para o que alguém tem a lhes falar, ou que não estão preparadas para ouvir tais ‘verdades’. José contou, em detalhes, aquilo que se tornaria realidade num futuro distante (Gênesis 37:6-11). A reação? Leia, por exemplo, Gênesis 37:8. Lições: (a) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser resultado da inspiração do Senhor em sua vida; (b) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser compartilhados com as pessoas certas; (c) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser compartilhados somente na hora certa. Enquanto isso faça como Maria que guardava no coração as coisas que ela não entendia, e ore (Lucas 2:51).
Pr. Flávio G. Azambuja.- fg.azambuja@bol.com.br

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