28
de
maio
A Conveniência de Uma Inconveniência: Relatar Freqüentemente os Erros Alheios
“Disse-lhe Israel: Vai, agora, e vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e ele foi a Siquém” (Gênesis 37: 14).
Como analisado anteriormente, a família de Jacó (também chamado de Israel), apresentava fraquezas internas como a maioria das famílias. Tentando acertar, Jacó expressou seus sentimentos de maneira desequilibrada ao enfatizar demais a pessoa de José, o filho mais novo: “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas” (Gn 37: 3). Tendo capitalizado em cima desta situação, José aceita a ‘função’ de privilegiado e passa a falar coisas verdadeiras, todavia, fora do tempo e para pessoas que naquela ocasião estavam despreparadas para ouvir dos sonhos do irmão mais novo; ainda que fossem sonhos ou visões motivados por Deus: “Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais” (Gn 37: 5). Assim, aprendemos que, como pais ou responsáveis, nós podemos cometer erros que, no entanto, podem ser corrigidos; e que os filhos não precisam perpetuar os erros dos pais como se não pudessem aprender com os erros de outrem.
Mas até que o tempo de percepção de erros aconteça, seguido de pedidos de perdão e reconciliações entre as partes de uma mesma família, outros erros persistirão. Um terceiro erro na vida de José foi o de insistir em relatar para as ‘autoridades’ as falhas nas vidas de outras pessoas. É curioso observar como uma pessoa (Jacó) continua mantendo uma situação perigosa não atentando para vários detalhes danificadores que conjugados podem culminar em total ruína de um lar. Não somente ele insistia em favorecer o filho mais novo, ele também enviava José para saber daquilo que os demais filhos faziam em cumprimento às ordens do pai e como eles estavam. Quão fácil é para um pai ou responsável errar quando na verdade ele ou ela desejavam acertar. Jacó envia José para saber se os demais filhos estavam bem. Entretanto, o fato de ser José o enviado, só fez piorar a situação.
José, motivado pelo conceito de ser o ‘melhor’, relatava tudo o que os irmãos faziam como outra forma de auto-afirmação. Observe outro verso da Palavra de Deus: “Esta é a história de Jacó. Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai” (Gn 37:2). Até que ponto uma pessoa deveria sentir prazer em relatar aquilo que é errado nos outros (fraquezas de caráter), ou falho naquilo que fazem (fraquezas de conduta)? Do ponto de vista cristão a pergunta poderia ser: existe algum valor em rotularmos alguém como ‘carnal’ julgando assim a espiritualidade daquela pessoa? Na verdade, ao observarmos outras pessoas com suas mazelas, devemos também considerar as nossas. Isto não significa concordar com possíveis práticas questionáveis, mas sim, através de demonstrações de amor e oração buscarmos a mudança de hábito, nos outros e em nós mesmos. Lembremo-nos disto: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Provérbios 24: 17). Relatemos tudo a Deus em oração!
Pr. Flávio Garcia Azambuja-fg.azambuja@bol.com.br

