Espiritualidade

Blog Espiritual

5

de
junho

A natureza humana.

“Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra” (Gênesis 40: 14-15) (4/4)
A vida de José, como já analisado anteriormente, foi marcada por erros familiares e pessoais profundos. É fácil observar como uma demonstração de afeto por parte de uma pessoa responsável por uma criança pode causar tantos estragos na vida da família como um todo. Os erros de Jacó nos ensinam acerca da importância de não demonstrarmos preferências, nem preterimentos (Gênesis 37: 1-3). Por outro lado, podemos também aprender com os erros de José: (a) não confiar demais no ‘fato’ de ser o preferido (37:3); (b) não falar demais antes da hora e para as pessoas certas (37:5); (c) não enfatizar demais os erros dos outros como se as fraquezas pessoais não existissem (37: 2b, 14). Se os grandes homens e mulheres de Deus erraram, quanto mais nós erraremos. Assim, podemos e devemos aprender até mesmo com os erros deles.
É um fato comum à existência humana o de sentir dificuldade em adaptar-se com aquilo que é comparativamente falando, um nível de vida mais baixo. Em outras palavras, é mais fácil para o ser humano acostumar-se com o que é bom, com um nível de vida que se aprimora e eleva com o passar do tempo. O inverso, todavia, é um pesadelo. Quase nunca se ouve falar de uma pessoa que ficou desanimada, frustrada, depressiva, porque tudo melhorou materialmente, emocionalmente ou espiritualmente. Mais freqüente, são os relatos de pessoas que entram em crise existencial por perdas no padrão outrora estabelecido e vivido. José, depois de experimentar as grandezas da casa de Potifar no Egito, termina sua ‘queda livre’ na prisão. A ida de José para o Egito teve a ver com seus erros pessoais, todavia, a ida dele para a prisão foi uma injustiça!
Mas será que o fato de terminar na prisão foi o fim da ‘decadência’ de José? É possível argumentar que não. Atrás das grades, José vive uma vida de utilidade para aqueles que administram a prisão, bem como para aqueles que compartilham das celas com ele (39: 20-23). Depois de ter ajudado alguns prisioneiros, ele pede a um deles que se lembre dele diante das autoridades: “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu” (40: 23). Qual foi então o erro de José desta vez? Resposta: esperar demais das pessoas. Quão fácil é nos encontrarmos desapontados com indivíduos porque eles não atuaram, reagiram ou responderam como nós esperávamos. Ter sido esquecido por alguém que fora anteriormente ajudado, deve ter sido para José uma queda ainda maior naquela situação que já parecia baixa o suficiente. Lembre-se disto: “O Senhor Deus diz: ‘Eu amaldiçoarei aquele que se afasta de mim, que confia nos outros, que confia na força de fracos seres humanos’” (Jeremias 17:5). O Redentor soube a importância de dosar a expectativa de confiar demais nos outros: “Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (João 2:24-25).
Pr. Flávio Garcia Azambuja.

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