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26

de
outubro

Felicidade-Uma Perspectiva Cristã

O que é felicidade? Por que buscamos a felicidade? É possível ser feliz? O que traz felicidade ao ser humano?

Estas perguntas fazem parte daquelas indagações que todo ser humano carrega dentro de si, muitas vezes sem coragem ou motivação de repassá-las à frente, talvez sem esperança de vê-las respondidas satisfatoriamente. Sem querer ser pretensioso e oferecer as repostas que todos buscam, gostaria de refletir sobre as questões colocadas acima e, quem sabe, contribuir, de alguma forma, para a maior felicidade de uma única alma.

Uma consulta ao dicionário (Wikipédia) mostraria que “A felicidade é uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento ou satisfação até à alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem ainda o significado de bem-estar ou paz interna. O oposto da felicidade é a tristeza.”

Se perguntássemos ao poeta Vínicius de Moraes, ele responderia que:

“A felicidade é como a pluma

que o vento vai levando pelo ar.

Voa tão leve, mas tem a vida breve.

Precisa que haja vento sem parar.

A felicidade é como gota de orvalho

numa pétala de flor.

Brilha tranqüila, depois de leve oscila

e cai como uma lágrima de amor.”

O que quer que seja o significado de felicidade, todos concordaremos que ela nos trás um bem estar e uma paz interior. Por isso a desejamos tanto.

Ed René Kivitz nos informa em seu excelente livro “Vivendo com Propósitos” (Editora Mundo Cristão) que pesquisas recentes mostram que as pessoas possuem um ponto de estabilização da felicidade, um nível de alegria ao qual se retorna, não importando se o indivíduo tenha ganhado na loteria ou perdido a capacidade de usar os seus membros. A neurociência está descobrindo que, quando as pessoas falam em felicidade, na verdade estão descrevendo estados de espírito, momentos em que se sentem bem em comparação a outros em que experimentam algum tipo de desconforto. Então, quando a vida de uma pessoa é cheia de boas notícias e seu estado de espírito mais comum é satisfatório, ela diz que é feliz. Segundo ele, existem 3 equívocos muito comuns a respeito da Felicidade:

1- Tem gente que pensa que felicidade tem fórmula. Dinheiro + Beleza + Projeção Social = Felicidade, mas tudo indica que estes não são fatores determinantes da felicidade.

2- Tem gente que acha que Felicidade é sinônimo de expectativa de viver num estado de alegria perene, o que não é possível. A insatisfação é que nos impulsiona a realizar.

3- O 3º equivoco é a crença em um destino aleatório como se algumas pessoas tivessem nascido para serem felizes e outras não.

Mas vamos deixar os equívocos de lado e ver um pouco o que a Bíblia diz sobre o assunto.

O que a Bíblia diz sobre as questões levantadas? Como ser feliz? O que fazer para se ter alegria e felicidade? Vejamos algumas referências do texto bíblico:

Salmos  128:1 - bem-aventurado (Feliz) aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! [A felicidade está associada a andar nos caminhos de Deus]

Gálatas 5: 22-23 - Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio… [A alegria é fruto do espírito]

Romanos 14:17 - Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. [A alegria é parte do Reino de Deus, portanto, não tenha medo de ser feliz.]

Provérbios 21:15 - Praticar a justiça é alegria para o justo, mas espanto, para os que praticam a iniqüidade. [Algumas práticas trazem alegria]

2 Coríntios 8:2 - … porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. [mesmo na tribulação e na pobreza pode haver alegria]

Tiago 1:2 - Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, [mesmo nas provações pode haver alegria]

João 16:22 - Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. [Jesus afirmando que a alegria e felicidade no céu, com Ele, ninguém poderá tirar]

Salmos 16:11 - Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente. [na presença de Deus haverá plenitude de alegria e felicidade perpetuamente]

Mas, voltando à pergunta principal, o que fazer para se alcançar a felicidade? Eu diria que é necessário mudar nossos valores e atitude diante da vida.

Em nossa escala de valores não podemos colocar a felicidade nesta vida como a razão maior da nossa existência. Isso é um valor mais humanista, existencialista/hedonista do que propriamente cristão.

Vejamos o que diz Dalai Lama:

“Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade.”

No cristianismo, a felicidade, assim como o sucesso, deve ser conseqüência e não o objetivo maior da nossa existência.

Vejamos o que diz Viktor Krankl:

“Não busque o Sucesso. Quanto mais o procurar e o transfomar num alvo, mais você vai errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”

Segundo Kivitz, a busca da felicidade como um objetivo maior por um ser humano egoísta, que só visa o seu bem estar pessoal, resultará necessariamente em infelicidade. Mais felizes são as pessoas que cultivam um espírito abnegado, solidário e altruísta. Quem diria, os mais felizes não buscam a sua própria felicidade. A felicidade é muito mais um jeito de ir do que um lugar aonde se chega.

Uma mudança de atitude diante da vida e da sua rotina diária pode fazer muita diferença.

A vida não consiste de poucos grandes momentos, mas sim em milhares de pequenos momentos aos quais emprestamos significado. Casamos uma vez e devemos viver casados para sempre. [Kivitz]

Por isso, precisamos aprender a nos alegrar nestes milhares de pequenos momentos.

Como conseguir isso?  Através de uma mudança de mentalidade e de atitude diante destes infinitos pequenos momentos das nossa vidas. Podemos começar a aprender com Charles Chaplin no seu poema “Tudo depende de mim”, transcrito abaixo, mesmo que não concordemos com tudo o que ele diz.

Hoje levantei cedo

pensando no que tenho a fazer

antes que o relógio marque meia-noite.

É minha função escolher

que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo…

ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não ter dinheiro…

ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.

Posso reclamar sobre minha saúde…

ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais

por não terem me dado tudo o que eu queria….

ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar…

ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com as tarefas da casa…

ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos…

ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei,

posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente

esperando para ser o que eu quiser.

E aqui estou eu,

o escultor que pode dar forma.

Na realidade, sabemos que nem tudo depende de nós. O texto, neste aspecto, é um pouco simplista para sermos sinceros. Mas podemos fazer uma concessão poética e aprender com ele uma forma mais positiva de encarar a vida. Entretanto, acreditar que somos escultores do nosso dia não deve mudar o nosso entendimento de que temos um Deus que cuida de nós, que intervém a quem podemos recorrer a cada dia.

A felicidade completa deveria excluir as dores, as preocupações, o temor, o sofrimento e qualquer outro motivo de tristeza. Mas, esta felicidade plena não é parte deste mundo. É a que nos espera quando estivermos com Deus, face a face, na vida eterna. Mas a alegria e felicidade fazem parte da vida cristã e podem ser experimentadas aqui na terra, não como um fim em si mesmo, mas como conseqüência de uma vida íntegra diante de Deus, somente possível mediante um conhecimento maior de Deus. Aliás, este é o objetivo maior da nossa existência, o conhecimento de Deus (Oséias 6.6).

Fred Abreu

14

de
agosto

O Reino De Deus é Privilégio Daqueles Que Não Dependem De Méritos Pessoais.

TEMA: O Reino De Deus é Privilégio Daqueles Que Não Dependem De Méritos Pessoais.
TEXTO: Mateus 20:1-16.
Há muito tempo atrás aconteceu num país distante um avivamento. Toda a sociedade foi transformada pelo poder de Deus atuando nas vidas das pessoas. Um jovem chamado Robert Evans tornou-se o líder do movimento. Mal Pope, um artista contemporâneo daquele país, criou uma peça teatral descrevendo o Avivamento de 1904 do ponto de vista de um velho pastor. A dramatização enfatizava a frustração do velho pregador por causa do avivamento ser liderado por um jovem inexperiente e não por ele.
Nós vivemos num contexto meritório e de grande expectativas pessoais. Planejamos cada passo como quem deseja alcançar o máximo de nossas potencialidades e queremos ser reconhecidos, queremos ser promovidos, queremos ganhar mais em todos os aspectos. Nós freqüentemente esperamos que aqueles de real importância venham reconhecer o valor que há em nós. Esta parábola enfatiza pelo menos dois grandes problemas: (a) a tendência humana de nutrir expectativas infundadas do ponto de vista do combinado (v.10); (b) a tendência humana de duvidar da bondade divina quando esta é direcionada a outros (v.15).
No final da parábola o crente é confrontado com a raiz do problema: o desejo incontido muitas vezes de desejar ser os primeiros no Reino de Deus; questionando a bondade do Senhor que um dia foi estendida a ele satisfazendo suas necessidades mais intimas, todavia, não desejando que tal bondade seja oferecida para aqueles que chegaram de ultima hora (v.16). Será que o reino de Deus hoje não corre o risco de ser compartilhado com outros, ou vivido de um ponto de vista mundano com ênfase na competição pessoal, na competência, nas performances, nos resultados, nos méritos pessoais?
A parábola dos ‘Trabalhadores na Vinha’ nos ensina acerca da prerrogativa divina de salvar nos termos da graça e não nos termos mundanos. O sistema do Reino de Deus é fundamentado em princípios antimeritórios (Efésios 2:8-10). Deus, como o proprietário da vinha vê pessoas ociosas e sem uma oportunidade digna de trabalho para sustentação e manutenção da vida, e proporciona a solução para tais realidades: trabalho. A oportunidade é igual para todos, pois todos precisam de uma oportunidade para entrar e produzirem no Reino de Deus.
Entretanto, com o passar do tempo uma tendência natural do ser humano começa a aflorar no coração, com a tendência de corromper a natureza da vida no Reino de Deus. Aqueles que trabalham bastante, que se dedicam muito, que se desgastam começam a crer que eles merecem mais do que os demais. O problema se torna complexo: (a) o proprietário da vinha - O Deus do Reino - passa a ser visto como injusto; (b) certas reações são motivadas não pelo prazer daquilo que se conquistou, mas pelo desprazer daquilo que outros conquistaram; (c) murmuração ou insatisfação marca a atitude daqueles que deveriam demonstrar felicidade por voltarem para casa com o suficiente para sustentar a família naquele dia.
Embora a salvação (a entrada na vinha) seja conseqüência da graça divina, da bondade do proprietário para com aqueles que estavam sem oportunidade digna na vida; a dedicação no trabalho do Reino de Deus não desprezará o conceito de obediência. Muito embora a Bíblia apresente salvação em termos antimeritórios, a vida de fidelidade ao Senhor Jesus Cristo e a frutificação no Reino de Deus, promoverão algo muito especial: o recebimento do galardão. Neemias pediu ao Senhor que não se esquecesse de sua fidelidade para com o Deus de Israel: três vezes Neemias pede para que o Senhor se lembre dele e daquilo que ele fizera (13:14, 22, 31).
Deus concederá galardões para os seus filhos e filhas. Devemos nos animar com o fato de que desfrutaremos por toda a eternidade da bondade do Senhor para conosco, e do prazer oriundo do galardão recebido da parte do Senhor. Nós estaremos satisfeitos com aquilo que receberemos e não com aquilo que outros receberam. Os nossos olhos estarão fitos em Cristo e nossos corações satisfeitos com a recompensa do Senhor em nós (todos recebem um denarius, e assim, todos desfrutam do mesmo pagamento: a satisfação está não na comparação de quantidade, mas na consciência do trabalho oferecido a Deus como resposta ao investimento divino). Quanto você tem dedicado de si mesmo no trabalho do Reino de Deus? Qual será o seu galardão, sua recompensa? Lembremo-nos de 1ª Coríntios 3:12-13.
Pastor Flávio Azambuja

5

de
junho

A natureza humana.

“Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra” (Gênesis 40: 14-15) (4/4)
A vida de José, como já analisado anteriormente, foi marcada por erros familiares e pessoais profundos. É fácil observar como uma demonstração de afeto por parte de uma pessoa responsável por uma criança pode causar tantos estragos na vida da família como um todo. Os erros de Jacó nos ensinam acerca da importância de não demonstrarmos preferências, nem preterimentos (Gênesis 37: 1-3). Por outro lado, podemos também aprender com os erros de José: (a) não confiar demais no ‘fato’ de ser o preferido (37:3); (b) não falar demais antes da hora e para as pessoas certas (37:5); (c) não enfatizar demais os erros dos outros como se as fraquezas pessoais não existissem (37: 2b, 14). Se os grandes homens e mulheres de Deus erraram, quanto mais nós erraremos. Assim, podemos e devemos aprender até mesmo com os erros deles.
É um fato comum à existência humana o de sentir dificuldade em adaptar-se com aquilo que é comparativamente falando, um nível de vida mais baixo. Em outras palavras, é mais fácil para o ser humano acostumar-se com o que é bom, com um nível de vida que se aprimora e eleva com o passar do tempo. O inverso, todavia, é um pesadelo. Quase nunca se ouve falar de uma pessoa que ficou desanimada, frustrada, depressiva, porque tudo melhorou materialmente, emocionalmente ou espiritualmente. Mais freqüente, são os relatos de pessoas que entram em crise existencial por perdas no padrão outrora estabelecido e vivido. José, depois de experimentar as grandezas da casa de Potifar no Egito, termina sua ‘queda livre’ na prisão. A ida de José para o Egito teve a ver com seus erros pessoais, todavia, a ida dele para a prisão foi uma injustiça!
Mas será que o fato de terminar na prisão foi o fim da ‘decadência’ de José? É possível argumentar que não. Atrás das grades, José vive uma vida de utilidade para aqueles que administram a prisão, bem como para aqueles que compartilham das celas com ele (39: 20-23). Depois de ter ajudado alguns prisioneiros, ele pede a um deles que se lembre dele diante das autoridades: “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu” (40: 23). Qual foi então o erro de José desta vez? Resposta: esperar demais das pessoas. Quão fácil é nos encontrarmos desapontados com indivíduos porque eles não atuaram, reagiram ou responderam como nós esperávamos. Ter sido esquecido por alguém que fora anteriormente ajudado, deve ter sido para José uma queda ainda maior naquela situação que já parecia baixa o suficiente. Lembre-se disto: “O Senhor Deus diz: ‘Eu amaldiçoarei aquele que se afasta de mim, que confia nos outros, que confia na força de fracos seres humanos’” (Jeremias 17:5). O Redentor soube a importância de dosar a expectativa de confiar demais nos outros: “Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (João 2:24-25).
Pr. Flávio Garcia Azambuja.

28

de
maio

A Conveniência de Uma Inconveniência: Relatar Freqüentemente os Erros Alheios

“Disse-lhe Israel: Vai, agora, e vê se vão bem teus irmãos e o rebanho; e traze-me notícias. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e ele foi a Siquém” (Gênesis 37: 14).
Como analisado anteriormente, a família de Jacó (também chamado de Israel), apresentava fraquezas internas como a maioria das famílias. Tentando acertar, Jacó expressou seus sentimentos de maneira desequilibrada ao enfatizar demais a pessoa de José, o filho mais novo: “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas” (Gn 37: 3). Tendo capitalizado em cima desta situação, José aceita a ‘função’ de privilegiado e passa a falar coisas verdadeiras, todavia, fora do tempo e para pessoas que naquela ocasião estavam despreparadas para ouvir dos sonhos do irmão mais novo; ainda que fossem sonhos ou visões motivados por Deus: “Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais” (Gn 37: 5). Assim, aprendemos que, como pais ou responsáveis, nós podemos cometer erros que, no entanto, podem ser corrigidos; e que os filhos não precisam perpetuar os erros dos pais como se não pudessem aprender com os erros de outrem.
Mas até que o tempo de percepção de erros aconteça, seguido de pedidos de perdão e reconciliações entre as partes de uma mesma família, outros erros persistirão. Um terceiro erro na vida de José foi o de insistir em relatar para as ‘autoridades’ as falhas nas vidas de outras pessoas. É curioso observar como uma pessoa (Jacó) continua mantendo uma situação perigosa não atentando para vários detalhes danificadores que conjugados podem culminar em total ruína de um lar. Não somente ele insistia em favorecer o filho mais novo, ele também enviava José para saber daquilo que os demais filhos faziam em cumprimento às ordens do pai e como eles estavam. Quão fácil é para um pai ou responsável errar quando na verdade ele ou ela desejavam acertar. Jacó envia José para saber se os demais filhos estavam bem. Entretanto, o fato de ser José o enviado, só fez piorar a situação.
José, motivado pelo conceito de ser o ‘melhor’, relatava tudo o que os irmãos faziam como outra forma de auto-afirmação. Observe outro verso da Palavra de Deus: “Esta é a história de Jacó. Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai” (Gn 37:2). Até que ponto uma pessoa deveria sentir prazer em relatar aquilo que é errado nos outros (fraquezas de caráter), ou falho naquilo que fazem (fraquezas de conduta)? Do ponto de vista cristão a pergunta poderia ser: existe algum valor em rotularmos alguém como ‘carnal’ julgando assim a espiritualidade daquela pessoa? Na verdade, ao observarmos outras pessoas com suas mazelas, devemos também considerar as nossas. Isto não significa concordar com possíveis práticas questionáveis, mas sim, através de demonstrações de amor e oração buscarmos a mudança de hábito, nos outros e em nós mesmos. Lembremo-nos disto: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Provérbios 24: 17). Relatemos tudo a Deus em oração!
Pr. Flávio Garcia Azambuja-fg.azambuja@bol.com.br

21

de
maio

A força das palavras.

“José teve um sonho, que contou, a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais” (Gênesis 37:5).
Como a grande maioria de pessoas normais José carregava em seu ser tradições recebidas no contexto familiar. E tentando acertar, os responsáveis por uma criança geralmente cometem erros na criação. Não existe uma fórmula que ensine precisamente as pessoas a viverem como família, tudo é uma questão de experimentação: erros e acertos. Felizes são as famílias que reconhecem seus erros em tempo para reorientarem os passos de seus membros. Errar é preciso! É necessário que as virtudes e fraquezas de cada dia sejam vividas a fim de que a família obtenha qualidade existencial. Jacó errou como pai ao demonstrar mais interesse para com um filho – José – do que para os demais (Gênesis 37:3). Mas, pela graça de Deus e vontade de acertar, erros podem ser corrigidos.
O problema fica mais sério quando as pessoas não param para conversar acerca do que sentem, a fim também de determinarem possíveis falhas no processo de conviver como família. Não somente isto, mas também a indisposição de reconhecer falhas pessoas no exercício de relacionar-se. José incorporou a tradição de que ele era o ‘mais especial’ dentre todos os irmãos; e eles não pararam para conversar sobre o assunto, a não ser décadas depois. Durante este período todos pensavam que José estivesse morto. Pela graça de Deus eles tiveram a oportunidade de um dia reverem as atitudes passadas e errôneas, e optaram pela reconciliação: perdão sem restrições. Anos de sofrimento foram terminados com uma conversa que poderia ter acontecido muito tempo antes. Ótimo, mas o que dizer daquelas famílias que não terão tanto tempo para esperar com o fim de reatarem relacionamentos? Em alguns casos, infelizmente, tudo será muito tarde!
Conversar em família sobre sentimentos, que muitas vezes seguem ignorados ou convenientemente despercebidos é essencial; no entanto, falar demais é incorreto. José não somente errou crendo ser ele o mais privilegiado, ele errou também ao falar demais na hora errada. Fundamentalmente, ele falou daquilo que era certo do ponto de vista do relacionamento dele com Deus: uma visão para o futuro. Todavia, ele cometeu um erro básico: compartilhar algo especial, até mesmo espiritual, com pessoas que ou não dão a mínima para o que alguém tem a lhes falar, ou que não estão preparadas para ouvir tais ‘verdades’. José contou, em detalhes, aquilo que se tornaria realidade num futuro distante (Gênesis 37:6-11). A reação? Leia, por exemplo, Gênesis 37:8. Lições: (a) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser resultado da inspiração do Senhor em sua vida; (b) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser compartilhados com as pessoas certas; (c) suas visões, sonhos, planos, projetos devem ser compartilhados somente na hora certa. Enquanto isso faça como Maria que guardava no coração as coisas que ela não entendia, e ore (Lucas 2:51).
Pr. Flávio G. Azambuja.- fg.azambuja@bol.com.br

7

de
maio

Relacionamento com filho.

“Esta é a história de Jacó. Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai” (Genesis 37:2).
O bom aluno é aquele que aprende com os exemplos positivos das pessoas, bem como com os erros delas. Seria interessante considerar a possibilidade de aprender um pouco com os erros de José. Os homens e mulheres de Deus, por mais santos e perfeitos que sejam ou tenham sido, apresentam fraquezas e erros em suas caminhadas com Deus. José não é exceção. Ele errou e nós podemos aprender muito com os erros dele. Na verdade isto deveria ser um grande encorajamento para todos os que almejam uma vida de intimidade com Deus: se os grandes erraram quanto mais errarão aqueles que ainda não alcançaram a estatura dos heróis da fé. Está você disposto (a) a aprender? Um coração disposto a aprender é um potencial tremendo nas mãos do Espírito Santo.
Na verdade, o estudo dos erros de José inicia-se com o pai dele, Jacó. Quantas famílias ainda hoje sofrem o problema da preferência ou do protecionismo entre os membros das mesmas. Pais, avós, ou responsáveis, quaisquer que sejam as razões, jamais deveriam demonstrar verbalmente, sentimentalmente, conscientemente, inconscientemente, individualmente, publicamente, de forma subjetiva ou objetiva, qualquer sentimento de preferência que deixe um filho ou filha em situação superior ou mais privilegiada do que os demais. Comentários do tipo: este é mais acadêmico enquanto que aquele é mais desportista; este é mais carinhoso enquanto que aquele é mais reservado; este é mais inteligente enquanto que aquele é mais esforçado; este é mais bonito interiormente enquanto aquele é mais bonito exteriormente; jamais deveriam ser vivenciados em família. Jacó, por uma razão ou outra, passou a expressar de forma muito clara sua preferência por José: “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas” (Gn 37:3). Que se observem as características específicas de cada indivíduo, mas nunca a ponto de demonstrar preterimento, premeditado ou involuntário.
José passou a se achar ‘especial’. O texto bíblico diz que ele trazia más notícias de seus irmãos ao seu pai, o que ao longo do tempo desenvolveu neles um sentimento de raiva contra aquele que era o ‘filhinho do papai’. Observe o que a Bíblia diz: “Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente” (Gn 37:4). Jacó (Israel) errou fazendo isto, todavia, José não precisava perpetuar o erro do pai através de seu comportamento. Louvado seja o Senhor pelo fato de que os filhos não precisam seguir os mesmos passos de seus ancestrais, especialmente, no tocante aos desajustes deles. Quando uma pessoa aceita para si a prerrogativa de ser mais especial do que as outras muito mais quando isto é validado por algum tipo de autoridade familiar, eclesiástica, política, criminosa, etc., tal aceitação só causará dor e sofrimento. Talvez, José precisasse de alguém para lhe dizer que: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém… (Rm 12:3). Lembremo-nos do que o profeta disse: “A soberba do teu coração te enganou, ó tu que habitas nas fendas das rochas, na tua alta morada, e dizes no teu coração: quem me deitará por terra? Se te remontares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, de lá te derribarei, diz o Senhor” (Obadias 1:3-4). Que as intercessões de Jesus Cristo nos proteja disto.
Pr. Flávio G. Azambuja e-mail:fg.azambuja@bol.com.br.

10

de
março

O perigo das generalizações…

Particularmente eu não gosto de generalizações. Elas não refletem a realidade. Uma generalização é um escape contra a necessidade humana de procurar e entender a verdade. O simples fato de rotular tudo e todos como sendo parte de uma situação determinada elimina algumas possibilidades fundamentais para o progresso do conhecimento, quer de indivíduos, quer de grupos sociais, quer de situações. Uma generalização, normalmente negativa ou ruim, promove o conceito de que tudo e todos (do ponto de vista daquela generalização) seguem em um plano imutável no qual não existem exceções.
Uma mensagem do tipo ENC/FWD tem navegado pela net com o título: Vergonha de Ser Alemão. Como eu tenho estudado a língua alemã, decidi ler e visualizar o conteúdo do e-mail. A mensagem apresenta evidências inquestionáveis (fotos, filmes e afirmações) de que o Holocausto verdadeiramente aconteceu. O e-mail nasceu como uma reação ao argumento de alguns grupos muçulmanos de que tal horror nunca acontecera. Eu acredito que eliminar de um currículo nacional o ensino sobre a Segunda Guerra Mundial e suas implicações para a humanidade, em nome de um grupo específico, é fazer da opinião deste grupo, que é uma exceção à regra, uma generalização das mais ignorantes. Entretanto, o mesmo e-mail que procura com tanta tenacidade defender a realidade inegável de uma das vergonhas mais aterrorizantes na história humana, é o mesmo e-mail que tem como título uma generalização absurda: que ser alemão é uma vergonha; trazendo a implicação de que todos eles estão direta ou indiretamente envolvidos e responsáveis pelo Holocausto.
Na impossibilidade de identificar o autor do e-mail Vergonha de Ser Alemão; eu, através deste meio público de comunicação, recomendaria que generalizações desta natureza não mais voltassem a acontecer mesmo que em nome de uma causa justa, pois seria eliminar um mal trazendo outro à luz. Outra opção seria a de que o autor deste e-mail continuasse encorajando aqueles que negam o Holocausto a que se arrependessem; mas que ele mesmo se arrependesse também por sugerir que todos os alemães estão, sem exceção, envolvidos nisto. O Holocausto foi e sempre será uma realidade histórica vergonhosa acerca da qual todos nós deveríamos nos arrepender e lamentar como seres humanos; sem, no entanto, fazer de pessoas inocentes cúmplices em algo do qual elas nunca participaram em atos, pensamentos, ou sentimentos.
Eu creio numa mensagem que oferece a possibilidade de arrependimento, que trata situações e indivíduos como exceções às muitas regras, convenções sociais e religiosas. Eu creio numa mensagem que mesmo defendendo o princípio de certo e errado, luta por não rotular sem causa, nem generaliza de forma negativa e ruim. Acima de tudo, esta mensagem de que Deus é amor e ama os pecadores é uma mensagem pessoal: do coração de Deus Pai diretamente para o coração de cada um de nós; pois, generalizações são perigosas.
Flávio Garcia Azambuja-fg.azambuja@bol.com.br

17

de
fevereiro

O Abuso Espiritual na Igreja.

O exercício do poder, centralizado em uma pessoa ou em um título, pode enaltecer doentia e arbitrariamente o líder religioso, levando-o a cometer excessos no cumprimento do dever a ele outorgado. Tem-se verificado no decorrer da história, atrocidades cometidas em nome da fé e em nome de Deus, por líderes que se sentem representantes de uma divindade (sendo que alguns líderes parecem mais divinos do que humanos), a qual precisa ser defendida através dos mais variados mecanismos, mesmo que os valores basilares da sociedade humana sejam desrespeitados. Em nome de uma religião, homens e mulheres têm perdido muito daquilo que os caracterizam como seres humanos. Valores intrínsecos à natureza humana têm sido violados em defesa de um ser superior, fazendo com que a existência humana perca sentido, beleza e o encanto a ela inerente.
O Deus revelado nas Escrituras não age de maneira despótica. A sua criatura é vista como algo muito bom. Por isso, a Sua intervenção na história humana, tem como objetivo restaurar o ser descaracterizado pela opção pelo poder. O poder desfigura, retira a simplicidade e a inocência. Enquanto o poder desumaniza, o amor reumaniza, tornando o homem verdadeiramente humano, caracterizado por uma relação de dependência com aquele que é Amor. 
Deus age a partir do amor. Deus age impulsionado por aquilo que Ele é. Nas palavras de João Deus é Amor. Conforme Jung Mo Sung,
Se Deus é Amor, isto é, se Deus coloca o amor acima do próprio poder, nem tudo o que acontece no mundo é fruto da sua vontade. Se ele é Amor e ama a humanidade, ele respeita a liberdade dos seres humanos. Pois sabe, mais do que ninguém, que o amor só pode ser correspondido na liberdade. O amor é inseparável da liberdade. Por isso, São Paulo também disse que onde está o Espírito de Deus, o Espírito do Amor,“aí está a liberdade (2Co 3.17).
O ofício pastoral e tudo o que a ele compete, deve estar necessariamente submetido ao dono da Igreja, Jesus Cristo. Em suas próprias palavras, O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor.  Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor (Mt 10. 24-25a). Desrespeitar esse princípio é assumir uma posição ilegítima, impulsionada pela força e sofismas do poder político e religioso, com tendências manipuladoras e centralizadoras, voltado para interesses pessoais e egocêntricos.  
Aziel Miranda Gusmão-azielmiranda@yahoo.com.br

20

de
dezembro

NATAL: E O VERBO SE FEZ CARNE

Se perguntássemos ao apóstolo João sobre o significado do Natal, ele começaria nos dizendo sobre algo que existia antes da fundação de todas as coisas: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ao pensarmos no Natal não podemos ter em mente apenas a manjedoura. Precisamos entender que a manjedoura ganha significado por causa do Verbo de Deus que se transformou em gente. Natal é o Verbo que se encarna, é Deus presente entre os homens, é Deus conosco. João explicita seu conceito de Natal com a seguinte declaração: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Natal é a graça de Deus concedida aos homens, é a máxima demonstração de amor que alguém pode praticar, é a entrega voluntária do Filho de Deus para regeneração da humanidade perdida. Em meio às nossas comemorações, não podemos nos esquecer que no centro das nossas atenções deve estar o Verbo da vida. É de fundamental importância que resgatemos o verdadeiro sentido do Natal, não permitindo que o sistema de valores vigente, desvie nossa atenção para questões supérfluas, muito aquém da riqueza presente nas boas novas do Evangelho. Comemoremos o Natal como verdadeiros cristãos, tendo Jesus Cristo como o alvo das nossas alegrias.
Aziel Miranda-azielmiranda@yahoo.com.br

13

de
dezembro

VINHO NOVO, EM ODRES NOVOS

Se quisermos uma vida mudada, transformada em direção a excelência, devemos olhar constantemente para a cruz de Cristo. É nela que Deus manifesta o seu amor, graça e perdão. Não há como recebermos o vinho novo, a vida nova proporcionada pelo Espírito, se não nos entregarmos completamente a Cristo para sermos moldados, reconstruídos em vasos novos. Se desejarmos experimentar a ação do Espírito Santo em nossa vida, fortalecendo nosso ser interior (coração), conformando nosso caráter ao de Cristo, enchendo nosso coração de esperança, conforto, descanso e paz, é necessário receber o vinho novo do Senhor. Para isso, nosso odre, nosso coração precisa estar em condições de receber as promessas prometidas por Jesus Cristo. Busquemos ter um coração puro, santificado pelo Espírito.

Aziel - azielmiranda@yahoo.com.br

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